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domingo, 5 de julho de 2009

Um Niemeyer em Porto Alegre

Mesmo antes das intenções de fazer o projeto da Fundação Iberê Camargo, elaborado pelo arquiteto português Álvaro Siza, Porto Alegre já tinha um projeto assinado por Oscar Niemeyer, chamado de "Caminho da Soberania", que terá quatro memoriais no futuro (Prestes, João Goulart, Leonel Brizola, Getúlio Vargas), e foi elaborado em 1990.
Para que os traços do memorial Luiz Carlos Prestes projetados pelo velhinho saiam do papel, o terreno de 10 mil metros quadrados na Beira-Rio, doado pela prefeitura de Porto Alegre em 1990, será dividido em dois. Metade continuará de posse do Instituto Olga Benario Prestes, mas a outra (algo como meio campo de futebol) irá abrigar a sede da Federação Gaúcha de Futebol. Estranho? Pois essa é, conforme os idealizadores, a forma de viabilizar a obra orçada em R$ 4 milhões...


Via zh

imagens da internet

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Recado para Oscar

Li no parede de meia. Logo após no vista doob. Agora já vi em outros.
Muito boa essa crônica do Fernando Lara. Impossível não publicar para fazer desse texto uma corrente que diga: Para velhinho! Nós gostamos do você de antigamente!
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O telefone tocou no meio da noite e ele atendeu rapidamente, saltando da cama como se um século não pesasse nos ombros nem nas pernas. Do outro lado da linha uma voz conhecida mas que ele não ouvia a mais de 15 anos.
- Oscar?
- Sim, sou eu, quem fala?
- É o Roberto, Roberto Burle Marx. Quanto tempo hein Oscar? Nunca pensei que ia demorar tanto pra você vir pra cá. Olha, desculpa o mau jeito de te ligar assim no meio da noite. É que essas conversas só funcionam quando vocês vivos estão meio dormindo meio acordados.
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Olha Oscar, nós andamos conversando muito sobre você nos últimos anos. Impressionante como os anos passam depressa aqui, acho que diante da eternidade tudo fica minúsculo..... mas sobre isso a gente conversa depois quando você chegar.
O Lucio foi contra, acha que você não vai ouvir, mas o resto do pessoal me pediu pra te dar o recado. É o seguinte, nós estamos todos preocupados com o que você anda fazendo atualmente. Cada prédio mal detalhado, mal construído. Para Oscar. Para e vai curtir as homenagens que você merece. Vai desenhar suas mulheres curvilíneas e para de desenhar esses prédios com curvas sem sentido.
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Se for por dinheiro arruma um jeito de vender seus desenhos. O Corbusier fez isso quando viu que seus projetos já não tinham a mesma força. Eu também passei a pintar mais e projetar menos quando percebi que os jardins já não saiam com a mesma vivacidade. E com esses prédios sem graça você está arruinando a sua biografia Oscar.
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Aquele moço do New York Times escreve muita bobagem mas acertou na mosca em 2007 quando disse que você estava vivendo o suficiente para estragar sua própria obra. O Charles Moore ficou muito meu amigo (não sei como não o conheci antes, um amor o Charles) e sempre fala do arrependimento de fazer aquela Piazza di Italia em New Orleans. Uma pracinha a menos e a obra do Charles ficaria muito mais íntegra. Você já acumula uma dezena de “piazzas” Oscar e ainda quer fazer uma grande bem no meio do eixo monumental! Já não basta enfiar um auditório no meio da Casa do Baile, aquela biblioteca sem livros em Brasília ou esse Centro Administrativo no caminho de Confins. Aliás, passa em Confins pra você lembrar a beleza do detalhamento do Milton. Se você ainda tivesse gente como o Milton ou o Lelé pra detalhar seus esboços....
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Você não precisa disso Oscar, já é de longe o mais importante arquiteto das Américas no século XX (o Frank tá aqui resmungando mas pra começar ele nasceu no século XIX). Desenhe Oscar. Escreva Oscar. Esse negócio de arquitetura dá trabalho demais e quando feito as pressas fica muito ruim. Olha, tá todo mundo mandando um abraço e dizendo pra você demorar bastante. Na verdade a gente morre de inveja da sua longevidade (e alguns do seu talento).
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algum tempo depois ele acordou e foi se vestir. Ia receber muita gente no escritório para mostrar mais um projeto (desenhado ontem) para mais um político enraizado nas idéias e nas formas do século passado.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Na Ativa!

O velhinho retorna ao canteiro de obras, com o mesmo afinco de 50 anos atrás. Todas as quartas-feiras, vai atravessar a Rio-Niterói pra passar o pente fino nos novos nove prédios do Caminho Niemeyer.
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Dá uma olhada na reportagem do Jornal Hoje.
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Penso que depois da péssima execução do Centro Cultural de Duque de Caxias, em especial a biblioteca (imagem abaixo), o centenário arquiteto ficou ressabiado com essas "retas curvas"!

E termina a entrevista com a célebre frase: "O importante não é a arquitetura, o importante é a vida".


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sexta-feira, 27 de março de 2009

Velhinho é 9º!

A notícia é velha, de 2007, mas olha que massa:
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O arquiteto Oscar Niemeyer ficou em 9º lugar em um ranking dos cem maiores gênios vivos, feito pela empresa de consultoria global Synectics.
(Não fiz uma varredura no top 10 - talvez algum já tenha ido pro lado de lá, e o velhinho ganhou posições! :P)
Único brasileiro da relação, o arquiteto ficou à frente do líder espiritual tibetano Dalai Lama (26º), do terrorista saudita Osama bin Laden (44º) e do criador da Microsoft, o americano Bill Gates (45º).
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A lista foi encabeçada pelo químico suíço Albert Hoffman, criador da droga LSD, que provocou uma revolução nos tratamentos psiquiátricos nos anos 40. Os caras enlouqueceram!
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OS MAIS BEM COLOCADOS NO RANKING

1.º: Albert Hoffman, químico suíço
2.º: Tim Berners-Lee, cientista britânico
3.º: George Soros, investidor americano
4.º: Matt Groening, desenhista americano, criador dos Simpsons
5.º: Nelson Mandela, político sul-africano
6.º: Frederick Sanger, químico britânico
7.º: Dario Fo, escritor e dramaturgo italiano
8.º: Steven Hawking, físico britânico
9.º: Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro
10.º: Philip Glass, compositor americano

Via: Uol

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Burle Marx no NYTimes

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Semana passada, saiu no The New York Times, uma matéria bem legal sobre o ano do centenário de Roberto Burle Marx, o Pitangui do Paisagismo!
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Ele teve participação fundamental para a consolidação da Arquitetura Moderna brasileira, junto com Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Lúcio Costa.
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O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema (foto acima) é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. O Calçadão de Copacabana também é obra dele.

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Definido por vegetação tropical e formas sinuosas, o jardim (com espaços contemplativos e de estar) possuía uma configuração inédita no país e no mundo. As plantas-baixas lembram muito telas abstratas.
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Vale a pena dar uma conferida no slide-show que os gringos colocaram lá.
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E tem uma exposição no Rio, no Paço Imperial, que fala sobre o paisagista, a exposição Burle Marx 100 anos: A permanência do instável. A mostra vai até março e é "de grátis".
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Mais perto de seu centenário (04 de agosto), retorno com o assunto.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Niemeyer, retrabalhos e eu...

Preste atenção onde está em negrito:

O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer foi convidado a participar da reforma do teatro Le Volcan ("o vulcão"), uma de suas obras, na cidade francesa de Le Havre. O conjunto arquitetônico, inaugurado em 1982, é formado por dois edifícios brancos, chamados, por causa de suas formas, de "o pequeno vulcão" e "o grande vulcão". No entanto, em função de seu acesso um tanto incômodo, o complexo não tem funcionado como se esperava.
Por este motivo, em 2006, o prefeito de Le Havre, Antoine Rufenacht, do partido conservador UMP, visitou o arquiteto no Rio de Janeiro para pedir soluções. Seu objetivo era fazer com que o centro cultural pudesse atrair mais visitantes. Niemeyer fez várias propostas que inspiraram uma equipe da prefeitura na elaboração de um projeto de reestruturação. O plano está orçado em 15 milhões de euros.
Depois da reforma, os acessos ao teatro devem ficar no mesmo nível que a calçada. O "pequeno vulcão" terá uma filmoteca para garantir o bom movimento do público. O acordo prevê que o Niemeyer seja consultado com freqüência durante a execução da reforma.
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Agora substitui: Pois se fosse com um arquiteto qualquer (eu, por exemplo) seria intimado, o cliente invadiria meu escritório para cobrar explicações, fazendo o retrabalho de graça....
O acordo iria prever que ficaria impossibilitado de projetar ou executar algo durante um bom tempo...
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Frank Gehry e Niemeyer

No documentário dos Stones, que tão nos posts abaixo, vi um trailer sobre um documentário do Frank Gehry - Sketches of Frank Gehry - que me chamou a atenção. Já tinha visto no blog do plataforma arquitectura, um episódio dos Simpsons, que fazem uma paródia com o arquiteto deconstrutivista. É engraçado. A perfeita noção que o leigo deve ter sobre as suas obras.


Como bom curioso, comecei a pesquisar mais sobre o documentário - que parece ser bem informal - e encontrei esse texto que faz uma comparação do Gehry com Oscar Niemeyer. Bem interessante o ponto de vista. Segue abaixo, na íntegra.

Mais um post pra boa discussão.

FRANK GEHRY E NIEMEYER
"Quando vi o Museu Guggenheim em Bilbao pela primeira vez pessoalmente achei menos surpreendente do que nas fotos, nas quais parecia uma alucinante e futurista escultura de titânio. Era difícil, mesmo para um arquiteto, acreditar que poderia haver uma “ordem arquitetônica” alí e que a revolução formal pretendida resultasse em beleza para olhos acostumados à tradição da arquitetura limpa de inspiração modernista. Quando cheguei perto da obra, apesar de só poder apreciá-la de fora ( não pude entrar, pois o museu estava fechado) consegui compreendê-la melhor, mas mesmo assim ela não me cativou de cara como outras grandes obras arquitetônicas, cuja a beleza apreciada de perto, muitas vezes, me emocionara. O prédio - ou aquela escultura na qual se podia penetrar e exercer atividades - me pareceu uma construção extremamente tecnológica e portanto fria, para mim. Aquelas formas mirabolantes só poderiam ser projetadas e construídas com a ajuda de poderosos programas de computação gráfica e alto desenvolvimento tecnológico de materiais, portanto com um suporte técnico e um custo muito elevados. Aliado ao efeito de espetáculo urbano que o projeto provocara, atraindo investimentos urbanos e turísticos e potencializando a função capitalista da “arquitetura de grife”, a euforia gehriana não me contagiou. Não havia nela a simplicidade, a leveza e a espontaneidade do traço arquitetônico de um Niemeyer, por exemplo.



Esta impressão modificou-se bastante quando assisti ao documentário “ Sketches of Frank Gehry” de Sidney Pollack. Ao invés de ver Gehry como um contraponto a Niemeyer, passei a vê-lo como um continuador deste, (embora Gehry provavelmente não se veja assim), no rompimento da rigidez formal do modernismo e na incorporação da forma livre como expressão arquitetônica acima de tudo. Ou acima da função, de acordo com a conhecida polêmica entre arquitetos formalistas e funcionalistas. Assim como Niemeyer, Gehry, antes de ser um arquiteto é um genial escultor e trata desta forma a obra arquitetônica. Há discordâncias quanto a “boa arquitetura” ser, antes de tudo, formal, mas há de se reconhecer a grande plasticidade dos projetos de Gehry e Niemeyer. É claro que nem sempre esta plasticidade significa beleza para a maior parte das pessoas. Ou seja, Gehry e Niemeyer também projetam obras que são consideradas feias e sem a genialidade de suas obras primas.

Interessante é vermos ambos - Gehry e Niemeyer – como homens simples e poetas do traço livre, que preferem conceber suas obras a partir de croquis desenhados a mão. Nenhum dos dois desenha em computador, embora tenham equipes de profissionais altamente treinados em sofisticadas tecnologias a os assessorar. Os dois pensam a arquitetura, desde a concepção do projeto, como volume plástico e objeto escultório que deve proporcionar surpresa e emoção às pessoas em primeiro lugar. O que os diferencia: Em Gehry é o arrojo das formas curvilíneas e o uso sofisticado de materiais “high tech” que cria a surpresa arquitetônica, em Niemeyer é a singeleza e sofisticação do traço curvo e o desenho limpo que levam à beleza.


Gehry esculpe no metal – material caro e sofisticado da arquitetura de impacto midiática do Sec XXI , Niemeyer no concreto – material barato e terceiromundista, a pedra transformada em arte edificada pela arquitetura brasileira modernista da década de 1950/60. Gehry conseguiu dar vazão ao seu poder criativo com o auxílio da terapia e quando resolver ousar na profissão. Niemeyer sempre afirmou que dá menos importância à arquitetura – a qual exerce diariamente até hoje com seus 100 anos - do que a vida. Conclui-se que o aspecto humano é o que diferencia estes mestres. Há razão, contudo, em muitas críticas a eles feitas e muitas vezes contradição na humanidade que desejam para a sua arquitetura e no que ela, de fato, representa, enquanto símbolo midiático e de poder. Porém contradição, desigualdade, paradoxo, beleza e caos são traços próprios da arte e não se pode cobrar coerência dela, sob pena de esterelizá-la."
Em overmundo

Li esse texto e me lembrei das aulas de História, com as discussões se Niemeyer era um arquiteto ou escultor... Bons tempos. Lembrei também das frases do velhinho, que as aplico no meu dia-a-dia como causar surpresa, e o importante é a vida.

Claro que podemos colocar mais "n" tópicos nesse texto. Mas que a comparação e a proximidade entre os dois é pertinente... ah, isso é, sem dúvida!
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sábado, 31 de maio de 2008

Fundação Iberê Camargo - A Escolha

Sempre me perguntei o porquê da escolha de Alvaro Siza pra projetar a FIC. A minha primeira impressão sobre a escolha, foi daquela de que o que vem de fora é melhor. Tantos arquitetos bons no País e no Estado, qual a intimidade do cara em vir ao Rio Grande do Sul cravar uma bandeirinha lusitana às margens do Guaíba? Bueno. O assunto foi morrendo, perdendo destaque pra mim, até que um dia me apareceu uma excelente matéria na revista Piauí, do Fernando Serapião, intitulada "Fortaleza da Solidão". Abaixo dou um crtl+C crtl+V no parágrafo que fala da escolha do Siza.

..."O primeiro passo prático para a criação da fundação foi dado no mesmo dia em que Iberê foi enterrado. Ao voltar do cemitério, Gerdau ligou para Prestes e disse: “temos que levar adiante a idéia da fundação. Não podemos deixar isso morrer com o Iberê”. A fundação foi instituída oficialmente em outubro de 1995, com a doação da coleção de Maria e o aporte financeiro de Gerdau. Apesar de não constar da pauta, a construção de uma nova sede foi um dos assuntos discutidos na primeira reunião da diretoria, que contava com cinco componentes: Maria (presidente de honra), Jorge Gerdau (presidente-executivo), Ronaldo Brito (diretor de patrimônio), Justo Werlang (tesoureiro) e Cristina Soliani (secretária-geral). Foi Cristina Soliani quem teve a idéia, já nessa reunião, de construir uma sede para a fundação. E sugeriu que ela fosse projetada por Niemeyer. O empresário e colecionador Justo Werlang não gostou da idéia. Ele disse depois a Gerdau que seria melhor contratar um arquiteto estrangeiro. Em 1998, entrou em cena o engenheiro José Luís Canal. Com doutorado em arquitetura e professor de pós-graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele era consultor da Gerdau para construções especiais. Ele selecionou dez arquitetos estrangeiros, que estavam se destacando por fazer museus, para apresentar suas obras à diretoria da fundação. Os diretores escolheram três finalistas, todos componentes da ala silenciosa: Siza, o espanhol Rafael Moneo e o americano Richard Meier. Canal visitou os três — no Porto, em Madri e Nova York —, para sondá-los. “A escolha foi natural e óbvia”, diz Canal. “A relação com Siza foi crescendo, e foi ele quem demonstrou mais interesse pelo nosso prédio.” Na época houve boatos de que o principal motivo da escolha foram os honorários de Siza, supostamente mais baixos do que o dos concorrentes. “Isso é mentira, todos cobram na mesma faixa”, protesta Canal. Para Gerdau, o lusitanismo pesou. “A proximidade com os 500 anos do Descobrimento nos induziu a achar que estávamos no caminho certo”, diz ele. Já Maria é categórica. “Fui eu quem o escolhi e acho que acertei”, diz ela, deixando clara a preferência pelo conterrâneo de seus antepassados do Porto."...
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Depois desse parágrafo, consegui compreender o que se passava na cabeça dos figuras. Faltou só um detalhe no texto: Por que o descarte inicial do Oscar? Tipo: Não quero e pronto? Fiquei imaginando o que o velhinho iria propor. Admito que a fase 90/100 anos não me agrada. Só tem grife. Projetos áridos, sem identidade com as cidades, escalas monumentais e orçamentos faraônicos. Jura que ele conseguiria fazer algo naquele naco de terreno que deram pro Siza! Iria aterrar uma parte do Guaíba e desmatar o restinho de mata nativa!
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Não se pode negar que Porto Alegre, com a escolha do arquiteto lusitano, vai figurar nas manchetes internacionais. O único país das Américas a ter um Siza. Rendeu o prêmio Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2002, e será um referencial arquitetônico não apenas para Porto Alegre, como também para o Brasil.

Depois também tem: O que Moneo ou o Meier fariam no lugar do Siza?
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